Notas do Projetor
2 months ago
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Novas Projeções

Depois de um longo período de abandono, Notas do Projetor voltará a ser publicado. Até quando? Não se sabe e nem haveria como saber. O período afastado se deu em função de diversas mudanças que ocorreram na vida deste interlocutor. A mais importante dela, e que certamente ditará o novo tom desse espaço, é o fato dele ser agora escrito por um futuro jornalista.

Pensei em mudar de endereço pois percebo que o tumblr não tem a vocação de publicações de texto. No entanto 2 motivos me fizeram desistir da ideia. O primeiro é o fato de dentre todas as plataformas de blogs disponíveis gratuitamente na net, que eu analisei (wordpress e blogspot) o tumblr é disparadamente a melhor. O segundo motivo foi o fato do meu professor de sociologia ter um tumblr aonde ele organiza o material didático trabalhado em sala. Ou seja, há espaço para todos.

E esse será, daqui para frente, um espaço de muita comunicação, pois é tempo de falar! 

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6 months ago
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chacommonstros:

14 de setembro_Foi anunciado que todos os japoneses devem trabalhar em indústrias vitais para o esforço de guerra. Isso significa que há pessoas saboreando néctar enquanto ignoram o esforço árduo e a humanidade dos japoneses. O que é patriotismo? Como tolerar a matança de milhões de pessoas e a privação de liberdades básicas de bilhões de outras por causa de noções abstratas como patriotismo e pátria?

(diário de Sasaki Hachirô, morreu em abril de 1941 aos 22 anos)

Final de maio de 1945_[Antes de ser transferido para a base aeronaval de Miho, Hayashi Tadao implorou ao irmão que lhe emprestasse O Estado e a Revolução, de Lênin, à época proibido no Japão. O irmão conseguiu fazer-lhe chegar a obra e Hayashi Tadao lhe contou ter lido, página por página, no banheiro. A cada vez, rasgava a nova página em pedacinhos e a fazia sumir na privada. Houve vezes em que engoliu os pedacinhos.]

(diário de Hayashi Tadao morreu em julho aos 24 anos)

Há mais ou menos dois anos eu assisti pela primeira vez”Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, documentário brasileiro de 1998 de Marcelo Masagão, baseado livro “Era dos Extremos” de Eric Hobsbawn, e me lembro que uma das coisas que mais me marcou foi o depoimento de um piloto kamikaze japonês na Segunda Guerra Mundial. Não eram as palavras de um fanático absoluto, como eu estava acostumada a ver na mídia quanto aos pilotos suicidas. Ele me pareceu uma pessoa com medo, sozinha, tremendo diante de sua tremenda obrigação cívica ao Império do Japão; confusa quanto a suas prescrições nacionalistas, dividida entre o que deviam a sua pátria e o que esperavam de suas vidas até então.

No finado mês de Outubro, a revista Piauí trouxe um presente especial para os que tiveram esse depoimento gravado na memória: a matéria “Pátria e Morte”, com trechos de correspondências e diários de alguns desses jovens. O suicídio não foi para eles uma opção: os 3 mil “meninos-soldados”, adolescentes recrutados, e os mil “soldados-estudantes”, universitários formados às pressas para participar da guerra, não eram voluntários. Nenhum oficial foi voluntário para as missões kamikazes.

Os relatos são de jovens como eu, da minha idade, dedicados aos estudos intelectuais, sonhando com suas formaturas - mas um incidente da magnitude de uma guerra os leva a ler obras de Lênin escondidos no banheiro, comendo os vestígios dos papéis, tudo isso enquanto esperam a morte. Escrevem cartas de despedidas definitivas para suas mães mais de uma vez. Suas famílias receberam caixas cujo conteúdo era apenas uma folha de papel escrito “Restos mortais”. Eles sabiam latim, alemão, francês, estavam empolgados com a filosofia, discutiam Kant, indignavam-se com a situação imperialista do Japão quanto a China, em segredo contestavam o Imperador do país.

Mas estão todos mortos, enquanto o resto do mundo tem a impressão de que eles mesmos escreveram seu próprio destino; enquanto o governo japonês publica falácias sobre como esses jovens heróis tinham convicção pelo que estavam fazendo; enquanto o mundo ocidental se choca e pensa “Pobrezinhos, essa paranóia oriental quanto ao medo e à honra faz com que os pobres jovens fiquem loucos e cegos, não?”

Todas as partes do documentário (para quem não tem alternativa além do youtube): Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7, Parte 8.

Cite Arrow via chacommonstros
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8 months ago
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Baseado em Fatos Reais


Photo: Imbecis se divertindo



Parece brincadeira, mas ao procurar a definição de imbecílidade no Wikipedia veja o que encontrei:

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Conceito:

Imbecilidade é, na psiquiatria, o grau intermediário da tríade oligofrênica, e os indivíduos portadores de imbecilidade são acompanhados de um certo grau de desenvolvimento intelectual que apenas lhes permite um mínimo de aprendizagem.
 
Caracterização:
 
Existem diferenças em grau e categoria que muitas vezes dificultam diferenciar o indivíduo imbecil do normal, já que alguns conseguem a articulação oral, mas o déficit de inteligência só lhe permite a aprendizagem mediante muito esforços, enquanto outros que possuem boa memória são capazes de desempenhar tarefas simples porém incapazes de aprender a leitura ou escrita. Desse modo, a nível mundial, não se conhece nenhum estudo que permita afirmar o grau de interação dessa anomalia (ou contrário) no convívio social.
 
Vida e interação:
 
O imbecil é caracterizado por sujeitar-se facilmente às sugestões, podendo constituir-se em perigo para outrem, por conta disso: se sugestionado para o mal, não têm os freios morais para questionar. Em geral, não se afeiçoam à vida familiar, mas em contrapartida gostam de animais. Não possuem condições para a própria subsistência.

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Qualquer semelhança com a realidade, NÃO é mera coincidência!

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8 months ago
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Trailer: Parece um filme bonitinho, mas é muito mais que isso!

 

Photo: Official Poster



Há filmes que gostamos e são facilmente indicáveis aos amigos e conhecidos com boa chance deles gostarem. Porém com os filmes que amamos a coisa é mais complicada. Afinal quando um filme nos marca profundamente é bem provável que isso tem mais a ver com os seus sentimentos do que com a produção em si. Não indicaria a maioria dos filmes que eu amo para alguém que não fosse um cinéfilo ou de mente muito aberta (a menos que eu desejasse ser taxado de mais esquisito).

É com esse sentimento que venho trazer o #FF dessa semana. Blue Valentine (Namorados Para Sempre no Brasil) é até agora o melhor filme que assisti esse ano de 2011. E seguramente entrou para o hall de filmes amados por esse cinéfilo que vos pentelha escreve (tenho grandes expectativas para a “A Árvore da Vida” e “Melancolia”). Independente de gostos pessoais, não tenho dúvidas em relação aos muitos méritos que dessa obra.

Contando com dois dos atores mais promissores dos EUA (Michelle Williams e Ryan Gosling) e que funcionam fantasticamente juntos, conta a história de um Romance (na acepção mais pura da palavra). O cinema contribui de maneira indelével para a formação dos nossos ideais amoroso, mas quase sempre de maneira utópica e platônica. Aqui o amor é narrado de maneira tão naturalística que me faz lembrar o velho profeta quando dizia “Que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez”.   

Para tanto foi necessário que o estreante na direção Derek Cianfrance demorasse quase 10 anos para concluir o filme, que fez movido para tentar entender a separação de seus pais (ocorrido quando ele tinha 20 anos o deixando bastante desorientado). Em 2005 Michelle Williams passou a colaborar com o projeto. Dois anos depois, em 2007, foi a vez de Ryan Gosling se juntar a produção.

Mesmo trabalhando juntos na produção os atores só se encontraram pessoalmente na cena em que se conhecem no filme. Depois disso moraram juntos por mais de 1 mês (inclusive com a garotinha que representa a filha do casal). Tudo isso para que o processo do filme fosse o mais real possível.

O filme foi vitimado no Brasil por pelo menos 3 gafes que induziram o público ao erro: 1° - O título nacional do filme: “Namorados Para Sempre” é absolutamente inadequado a história e ao próprio título original (Namorado Triste em tradução literal); 2° - Foi lançado no dia dos namorados, o que levou muitos casais ao cinema achando que assistiriam um romance “água com açúcar”; 3° - O Trailer do filme (acima postado) dá a contribuição final na atração de um público inadequado para uma obra desse porte.

Independente disso, assistir Blue Valentine é comprar um passagem para uma montanha russa emocional. É sentir ódio, ciúme, tristeza e desespero, mas também pode ser uma grande oportunidade de nos sentir melhor com nossos próprios erros e desilusões amorosas. Ao narrar o amor da maneira tão crua, o filme pode ser indigesto para o publico habituado a ver uma versão blasé dos relacionamentos humanos. Mas pode ser muito bom para todos aqueles (que como eu) buscam compreender um pouco mais a natureza humana!



Filme: PARTE 1 - PARTE 2

Legendas: PARTE 1 - PARTE 2

Links retirados do Filmes Hunter 

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8 months ago
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Como usuários de smartphones vêem a si mesmos e à concorrência - Via Luli Radfahrer

Como usuários de smartphones vêem a si mesmos e à concorrência - Via Luli Radfahrer

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8 months ago
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Sexo, Mentiras e Internet


Photo: Scarlett Johansson Naked (Self Portait)



Ao ver as fotos nuas de Scarlett Johansson circularem pela NET não pude deixar de perceber um traço humanístico no caso. A musa ao se auto fotografar na intimidade do seu lar em poses absolutamente casuais agiu da mesma forma que milhares de garotas que por fetiche, inocência ou curiosidade registram momentos dessa natureza.

Sem recorrer diretamente a argumentos freudianos, mas de alguma maneira utilizando-os, noto um certo exagero nas implicações do “vazamento” do maravilhoso conteúdo (o FBI estaria investigando o caso). Poucas coisas são mais irritantes que o puritanismo pequeno burguês.

O sexo nos dias atuais é um ato massificado. A geração que cresceu sendo bombardeada por símbolos fálicos e erotização precoce atingiu a “idade sexual” e tornou o coito (nas sábias palavras de Sheldon Cooper) na transa (para ficar em um bom termo). Tal fato tornou o sexo mais acessível em sentido prático, mas não descomplicou os milhares de mistérios que cercam a questão.

Registrar em imagens um momento sexual pode ser interpretado como uma reprodução de um modelo ensinado a uma geração que cresceu descobrindo o sexo através de revistas e filmes. Se analisarmos com honestidade a questão descobrimos facilmente que nosso repertório sexual é limitado e repleto de clichês de filmes (sejam nas posições, sejam nos “diálogos”).

Ao se fotografar com o celular num momento de intimidade Scarlett Johansson desceu da condição de deusa para a condição de mortal. Ela como todos nós também pode se sentir sexy, insegura, vulnerável, intimidada, excitada, à vontade, curiosa, atraída, retraída e tantas quantas forem as coisas que tornam o sexo o céu (nos melhores casos) e o inferno (nos piores) das relações humanas.

Em matéria de sexo a única e maior perversão inaceitável é a caretice!

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8 months ago
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A Rede Anti Social

Photo: Você não faz 1 milhão de amigos (essa é a questão)




Não é de hoje que questiono o uso das redes sociais. A foco da minha crítica é sempre ligado ao tipo de uso que as pessoas fazem dos meios disponíveis e nunca em relação a extensão do seu uso. Mesmo sabendo que, em sentidos práticos, o que determina uma ferramenta é o uso que damos para ela, acredito firmemente que como todas as relações em sociedade há ou pelo menos deveria haver uma etiqueta que palavra horrenda que permite uma interação mais ética e organizada.

Sei que a essa altura esse texto caminha perigosamente sob a linha de uma argumentação que remonte a um certo elitismo, mas não é a intenção (ainda que a internet seja um meio elitizado). As redes sociais, cada vez com maior intensidade, devem ser observadas como um importante cenário de atuação e projeção individual, que podem fornecer um diagnóstico fundamental das questões existenciais humanas.

Ultimamente tem me chamado a atenção as ocorrências na rede social mais popular do momento: O Facebook (jura?). O nível de conteúdo compartilhado é tão baixo que nos faz pensar em que ponto nos perdemos dessa maneira. Aqui não entrarei em maiores detalhes em relação as “correntes” (o popular “cole no seu perfil”) que em qualquer nível são lamentáveis (até as boas idéias tornam-se más idéias quando propagadas por correntes).

É incrível como as pessoas só conseguem ver o Facebook como um instrumento de marketing pessoal. Seja colocando fotos com a Torre Eiffel ao fundo ou citando fragmentos de textos e autores que nunca leram, a intenção é sempre querer aparecer. O que pode parecer pueril ou apenas ignorante, ás vezes demonstra um lado com implicações mais sérias. Como é o caso dos epitáfios e condolências póstumas.

Hoje na pequena cidade onde moro atualmente, faleceu o filho de 5 anos de um cidadão muito conhecido na cidade (com uma imensa legião de puxa sacos fãs). Em algumas horas seu perfil foi bombardeado de mensagens de seus contatos mais próximos. Entretanto um bom número de pessoas passou a publicar nos próprios perfis, frases de apoio e pedidos de orações. Imagino como isso deve parecer idiota para alguém que acabou de perder um filho…

Um dos efeitos inapeláveis que as tragédias e momentos de dor profunda trazem é a necessidade de olhar para as coisas de maneira mais crua, retirando o máximo possível o véu de hipocrisia que turva nossos olhos. Um milhão de mensagens e “curtidas” virtuais não significam nada para aqueles que não podem evitar a realidade fática… Me faz lembrar o imortal e genial Nelson Rodrigues quando diz: “No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer”. Triste realidade…

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8 months ago
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Gostei muito da escolha de Michelle Williams para viver Marilyn Monroe na mais nova adaptação da vida da musa para o cinema. Seus últimos trabalham a colocam no patamar das atrizes mais promissoras de sua geração. Aguardemos.

Gostei muito da escolha de Michelle Williams para viver Marilyn Monroe na mais nova adaptação da vida da musa para o cinema. Seus últimos trabalham a colocam no patamar das atrizes mais promissoras de sua geração. Aguardemos.

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9 months ago
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Mentes Que Brilham: Pierre Lévy


Photo: Pierre Lévy


O comunismo da informação e do conhecimento

Quem acompanha as postagens do Projetor já deve ter notado que a cultura internética ocupa um espaço diferenciado nas pautas. Para mim a discussão e interpretação dos elementos evidenciados na rede, especialmente nas mídias sociais é fundamental para uma melhor compreensão da nossa realidade cotidiana.

Um grande pensador que tem dirigidos seus esforços no estudo da temática é o filósofo Pierre Lévy. Nascido numa família judaica na Tunísia, fez mestrado em História da Ciência e doutorado em Sociologia e Ciência da Informação e da Comunicação, na Universidade de Sorbonne na França. Trabalha desde 2002 como titular da cadeira de pesquisa em inteligência coletiva na Universidade de Ottawa, Canadá. É membro da Sociedade Real do Canadá (Academia Canadense de Ciências e Humanidades).

Em entrevista a Revista Cult (abaixo transcrita) o filósofo se utiliza do conceito da palavra comunismo, agora da cibercultura, para ilustrar o momento cultural no ambiente virtual, tratando também, de forma rápida, a instigante questão da autoria com o advento da grande rede e do mundo ciberglobalizado.
 
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O FILÓSOFO DA INTERNET (por Jaqueline Gutierres da Revista Cult)
 
Um dos principais pensadores da Internet, Pierre Lévy fala sobre o futuro da rede.
 
Um dos primeiros pensadores a refletir sobre a internet, Pierre Lévy,55, estará no Brasil no final de agosto para participar da 14 “Jornada de Literatura de Passo Fundo (RS). Criador de termos hoje triviais, como cibercultura e ciberdemocracia, e professor na Universidade de Ottawa (Canadá), ele falou à CULT sobre interatividade e o futuro da web, temas de que já tratou em obras como Cibercultura (Editora 34) e A Inteligência Coletiva (LoyoIa).
 
CULT – Seu livro Cibercultura foi lançado em 1999. Mais de dez anos depois,você acha que algumas das projeções que fez na obra se realízaram ?

Piérre Lévy – Minha principal projeção realizada é a do crescimento das comunidades virtuais, hoje conhecidas como mídias sociais. Outra diz respeito à transformação da
mediação cultural: nós vemos atualmente que as funções dos jornalistas, publicitários, curadores, criticos, bibliotecários etc. podem ser realizadas por qualquer pessoa
on-line. Além disso, podemos perceber que, por mais que as pessoas usem a internet, elas continuam se encontrando pessoalmente. Penso também que eu estava certo ao interpretar a cibercultura não como uma cultura de gueto compartilhada apenas pelos tas do digital, mas como a cultura compartilhada por todos na era digital.
 
CULT - Você consegue projetar mudanças para os próximos anos na vida das pessoas que usam a internet diariamente?
 
Piérre Lévy – Primeiro acredito que todos usarão a internet todos os dias, mesmo sem consciência disso. Segundo, acho que tudo e todos possuirão uma “aura semântica” aumentada ou uma realidade virtual que refletirá sua própria atividade cognitiva ou a atividade cognitiva das pessoas em relação a ela. Para tornar possível a existênria de sistemas como a “Árvore do Conhecimento”, o que precisa acontecer? Quanto tempo isso levará? O que está em jogo aqui é uma profunda mudança cultural em relação ao conhecimento e ao reconhecimento de competências. Em vez de pertencer às escolas e universidades, o reconhecimento de competências passará a ser profundamente distribuído em toda a sociedade e as comunidades passarão a pensar sobre si mesmas como “inteligências coletivas”, isso acontecerá daqui a duas ou três gerações, no máximo.
 
CULT - Você afirma que, em termos técnicos, a internet possibilita a existêucia de uma “cíberdemocracía”, com o aumento do acesso ainformaçõesgovernameutais e da interação entréo governo e a sociedade civil. Isso pode funcionar na prática? Como?

Piérre Lévy – Isso já funciona. Os governos atualmente são muito mais transparentes do que eram 20 anos atrás, graças aos sites oficiais e aos dados públicos. Além disso, as discussões púhlicas, ou seja, a parte deliberativa da democracia, já têm sido reforçadas pelos diálogos em blogs e mídias sociais. No futuro se verá um novo tipo de estratégia política, usaudo transparência, discussões públicas e inteligência coletiva como armas.
 
CULT - Qual a sua opinião sobre os direitos autorais e as polêmicas quanto à internet,especialmente em relação ao compartilhamento ilegal por um lado e aos sites que permitem a modiiicação e comercialização dos conteúdos por outro, como o creative commons?
 
Piérre Lévy – Acho que nós estamos lentamente caminhando para um tipo de comunismo da Informação e do conhecimento. Mas acho que devenis acompanhar de perto as contribuições culturais das pessoas e recompensá-Ias por isso, com dinheiro ou reputação. Com as novas tecnologías, com o aumento no número de blogs e o fortalecimento das redes sociais, o que pode mudarna função dos jornalistas? Ela deixará de ter sentido com o tempo? Acha que a função do jornalismo será cada vez mais importante, incluindo o uso das bases de dados na profissão. Mas saber se essas funções jornalísticas continuarão sendo cumpridas por jornalistas profissionais é ainda uma questão aberta. Nós devemos imaginar agências denotíciaspoderosasfunctonando com base em crowdsourcing.

CULT - As pessoas podem usar a internet de diferentes maneiras, boas ou ruins. Em sua opinião, isso é apenas consequência da liberdade que provém da rede ou você acha que deveria haver monítoramento?
 
Piérre Lévy – Eu sou contra qualquer censura governamental na internet, especialmente quando se trata de opiniões políticas dissidentes, mas entendo que alguns proprietários de plataformas decidam desligar as mensagens ou as pessoas que se dedicam a atividades ilegais ou hediondas.

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9 months ago
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Você tem fome de quê?


Imagem: Dedicada a todos que têm “Orgulho Hétero”


Ontem (02/08/2011) a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em sessão extraordinária o Projeto de Lei de autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM), que cria o “Dia do Orgulho Heterossexual na cidade de São Paulo”. O Projeto foi aprovado em votação simbólica segue para a sanção do desgraçado do prefeito Gilberto Kassab (vejam só, que irônico…). O dia do orgulho heterossexual será no terceiro domingo do mês de dezembro. Há tantas ignomínias a serem destacadas que é difícil começar, mas vamos lá.

Começamos por seu idealizador, Carlos Apolinário, vereador em SP eleito pelo voto popular nas últimas 3 eleições (a democracia tem cada coisa…). O parlamentar do DEM é herdeiro da tradição reacionária dos políticos da bancada evangélica, um legítimo representante do pensamento mais retrógrado e conservador que existe nesse país. Tanto sua justificativa, como suas declarações em sua defesa são absolutamente ridículos e dão a dimensão de sua estupidez personalidade.

A princípio sou favorável que todos tenham o direito de protestar e expor suas idéias. Nesse sentido não tenho nada contra de 1, 10, 100 ou 1 milhão de babacas pessoas quiserem ira a avenida Paulista fazer passeata em nome da “honra hétero”. Porém não posso deixar de questionar que tipo de reflexão e discussão uma manifestação dessa natureza poderia trazer. Seria possível dentro de uma plataforma dessas não cair na baixaria, no preconceito e no ridículo?

Não posso deixar de questionar o nome da coisa - “Dia do Orgulho Hétero” - acaba parecendo meio gay contraditório. Afinal se para ser hétero foi necessário tamanho esforço do indivíduo, a questão merece ser revista (além dessa “convicção” parecer estar um tanto hesitante). Lembro que a autoafirmação é um recurso recorrente de quem está inseguro em relação a um assunto ou questão.

Como homem heterossexual sei que para muitos de minha espécie, ser homo afetivo é o maior medo de suas vidas. Apesar de nunca compreender esse temor (afinal esse é o tipo de coisa que me parece ser bastante direta: Ou se é, ou não é…), é muito forte a crença que existe uma grande conspiração gay para enviadar conquistar o mundo. Por esse raciocínio o ser humano seria uma espécie que reproduz tudo o que vê em novelas (céus…) e nos filmes. Fosse isso verdade, nossos problemas certamente seriam menores…

Pessoalmente não me sinto atingido, tentado, ofendido por nada que retrate esse universo, nem tampouco sou fã ou acho esse estilo de vida glamouroso ou incrível. Vejo apenas como algo diferente da minha realidade e como tal procuro conhecer (buscando vencer meus preconceitos), compreender (muitas vezes não conseguindo) e aceitar (não haveria como ser diferente). O mundo é cheio de diferenças e de nada adianta pregar a intolerância. O melhor caminho parece indicar o contrário.

NOTAS:

1 - Vale a pena ler os links sobre a justificativa e as declarações de defesa do vereador. Seriam cômicas, se não fossem trágicas.

2 - Aos entusiastas do “Movimento Hétero” recomendo uma passada no Adamastor e assistir ao interessante vídeo que ele postou (não esqueçam de seguir suas recomendações).

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